(31) 3075-3331 / (31) 9902-2877contato@odespertardaautocura.com.br

photo-6No mundo inteiro, os tambores são os principais geradores de transes nos quais os xamãs viajam para frente e para trás entre os reinos superior, médio e inferior.

Existe uma excelente razão científica para o efeito da percussão. Os neurofisiologistas descobriram que os sons rítmicos podem alterar de modo significativo os padrões das ondas cerebrais e induzir transes. De modo mais específico , quando estamos acordados, um hemisfério do cérebro domina o outro em um padrão assincrônico das ondas cerebrais. ( O hemisfério direito gera, de maneira característica , ondas alfa, vibrando de seta a 14 ciclos por segundo, enquanto o hemisfério esquerdo gera ondas beta que vibram de 14 a 20 ciclos por segundo.) Por um processo chamado “carreação” um desses ritmos puxa o outro à ressonância harmônica.

A percussão , seja de tambores, chocalhos , gongos ou palmas, altera os padrões das ondas cerebrais assincrônicas em sincrônicas. Como escutamos o estímulo, os neurofisiologistas chamam esse processo de “impulso sônico”, que pode resultar em sensações visuais de cor, padrão e movimento. Os praticantes também relatam sons profundos e altos inesperados e até alucinações totais.

Essas intensas experiências sensoriais , tão difíceis de descrever em palavras, também estão relacionadas à combinação da simetria e da química cerebral. Durante as experiências místicas extáticas, o hemisfério direito do cérebro – baseado em imagem – domina o hemisfério esquerdo, onde ocorre grande parte do processamento da linguagem. Estados místicos , como os sonhos, são fundamentalmente não lineares, não-lingüísticos e distorcidos, muito além do reconhecimento quando colocados em palavras ou transmitidos a outros. Eis porque muitas pessoas são reticentes ao serem solicitadas que descreviam suas visões e por que muitas outras preferem desenhar, pintar , ou tecer as imagens-chave dessas experiências, em vez de tentar falar de modo direto sobre elas.”

(Bárbara Tedlock in A Mulher no Corpo de Xamã, 2008 p. 87 e 88)