(31) 3075-3331 / (31) 9902-2877contato@odespertardaautocura.com.br

Ventre – Poder de gerar e criar

Home / Sagrado Feminino / Ventre – Poder de gerar e criar

TheClay-Ron-DiCianniAnatomicamente, a palavra Ventre refere-se à frente do corpo – a cavidade abdominal – situada entre o tórax e a pelve onde estão contidos os principais órgãos dos aparelhos digestivo, excretor e reprodutor. Ele se divide em três partes: superior, médio e inferior. O limite superior do ventre compreende uma esturra muscular ímpar, o diafragma e o limite inferior é constituído por um conjunto de músculos esqueléticos que funcionam como um assoalho da pelve e que sustentam as vísceras.

No ventre superior o músculo Diafragma cobre o fígado, a vesícula biliar, o baço, o pâncreas e serve de apoio para o músculo cardíaco. Segundo Philip E. Souchard, fisioterapeuta francês criador do método RPG ( Reeducação Postural Global) o músculo diafragma assegura a sobrevivência nos planos respiratório, circulatório e digestivo, especialmente quando o seu funcionamento for automático, portanto inconsciente.

O ventre médio é a região popularmente chamada de barriga. Algumas expressões populares como , por exemplo, ” só vê o próprio umbigo” indica –  em um sentido maior e profundo – que temos um centro forte e atuante nesta região. O taoísmo chinês considera o centro umbilical (Tan D’en) o local onde o yin e o yang se reúnem concentrando as energias básicas que trazem autoproteção contra as doenças e velhice prematura. O rejuvenescimento e a longevidade dependem da circulação apropriada da energia desde o Tan D’en para os outros centros das costas, peito e cabeça. A descrição Taoístas ” centro do umbigo” antecede o conceito da cinesiologia ” centro de gravidade”.  Como este centro se encontra no abdômen , e não nas demais regiões do corpo, significa que os demais segmentos precisam se alinhar com o ventre para haver equilíbrio no andar e em todos os movimento do corpo.

No aspecto emocional, o equilíbrio psicológico também está vinculado ao bom alinhamento dos centros gravitacionais porque o nosso vínculo com o planeta é existencial e, portanto, não se restringe a uma questão biomecânica.

“A Terra, ao mesmo tempo que nos sustenta, nos atrai para baixo. Isto quer dizer que para uma pessoa viver bem precisa ter os pés plantados no chão, apoiar-se firmemente nas pernas , soltar a bacia e o ventre. Com isso, o diafragma consegue realizar a sua tarefa respiratória , e tanto a voz como os braços e as mãos chegarão mais longas e serão mais leves e hábeis. Se tudo tiver alinhado, a cabeça pode também se equilibrar , criando com maior clareza a sensibilidade.” ( Lucy Penna)

Por último , a região inferior do ventre que é o local onde estão os órgãos sexuais interno e externos, a porção final do intestino e os órgãos de evacuação que estão contidos na pelve. Na região inferior da pelve tem um conjunto de músculos complexamente entrelaçados que sustenta os órgãos pélvicos. Eu costumo fazer uma analogia desse complexo com o fundo de uma bacia, que lhe serve de apoio já que também esse complexo quando ativado e equilibrado sustenta todos os órgãos da região.

E, é esta última parte que denominamos de Ventre Sagrado por ser o local onde está o útero e todo o seu poder de gerar e criar. Parte deste poder se deve ao aspecto transmutador da semente em vida e assim proliferação da espécie. No ventre somos concebidos. Evoca-se, portanto, o processo de gestação e reprodução.

É no Ventre Sagrado que estão guardadas as experiência familiares, afetivas, sexuais… E, caso tenha algum aspecto negativo, mesmo que não tenha se manifestado no corpo físico as feridas existem. Isto, pode resultar em medo, fraqueza, baixa auto-estima , distanciamento do poder , desconexão com o Sagrado Feminino.

Há milhares de anos a dança sagrada expressava a força do ventre humano (corpo forte, pés abertos, quadris encaixados) e apto para viver com as forças da natureza no mundo interior e no mundo exterior, preparava o corpo, as emoções e o espírito feminino para criar junto com a divindade.

Anos depois, imaginamos o Graal como um cálice e, a maior parte das vezes, como o cálice cheio de vinho que Jesus ergueu na Última Ceia.”Este é o meu sangue…” – as suas palavras e atitudes passaram a estar ritualizadas na comunhão cristã. Quando pensamos que, como recipiente arredondado, um cálice é um símbolo feminino, a ideia de um vaso cheio de sangue sugere o útero feminino e, então, o Graal mostra a possibilidade de um outro significado – o de um símbolo feminino sagrado ou misterioso, algo de transformador e curativo, com uma dimensão venerável ou divina do feminino.

A capacidade criadora feminina não está limitada aos anos de fertilidade. A força do ventre feminino, especialmente , partilha do poder criador do universo.